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29.1.04

O santinho e o pau... 

Amant alterna Camenae - escreveu Virgílio numa das suas composições poéticas em que põe dois pastores a cantar alternadamente. (Éclogas, III, 59)

Quer dizer que as musas gostam dos cantos alternados, o que significa que a monotonia, seja na prosa ou no verso, acaba por ser um osso ruim de roer.

Também eu, para não vos enfadar em excesso, vou utilizar neste blog o truque do poeta latino. Por isso ora ireis ouvir cantar o pau ora o santinho. Hoje vai cantar o santinho:

De corde enim exeunt cogitationes malae, homicidia, adulteria, fornicationes, furta, falsa testimonia, blasphemiae.

S. Matthaeus

Do coração procedem os maus pensamentos, os assassínios, os adultérios, as prostituições, os roubos, os falsos testemunhos e as blasfémias.

Eu acrescentaria à lista negra a injustiça, a corrupção e a prepotência. Ainda não esqueci as fraudes na colocação de alguns docentes em algumas das nossas escolas, como ainda não esqueci a tentativa manhosa de fazerem entrar na Faculdade de Medicina de Lisboa a filha dum ministro. Tudo à margem da lei, tudo em nome do favoritismo.

É isto - e outras coisas mais - que me fazem duvidar da honestidade do género humano. Não falo já nos escândalos da Casa Pia, na corrupção dos agentes da Brigada de Trânsito, nos buracos financeiros no Exército, na RTP e outras empresas, nas falências fraudulentas, nas contas off-shore, nos peculatos e gestões danosas, etc.

Cada vez que me lembro que dois administradores judiciais desviaram em proveito próprio meio milhão de euros duma fábrica de vidro, na Marinha Grande, todo eu estremeço de indignação e revolta.

O colapso da empresa atirou para o desemprego centenas de trabalhadores que se viram subitamente sem o seu ganha-pão. O desespero foi tal que até houve quem se suicidasse.

Mas não haverá uma maneira de travar a ascensão dos pulhas aos postos cimeiros da administração?

É este o país que temos.


Máquinas inteligentes

Há uma pessoa do meu entourage que anda com uma obsessão em criar um algoritmo genético que permita emular num robot comportamentos típicamente humanos, isto é, uma engenhoca com inteligência e até sentimentos.

Eu rio-me das suas tentativas utópicas e, para dizer a verdade, quase que fico feliz por não vislumbrar no futuro uma tal possiblidade. É que para mm já me chegam as idiossincrasias humanas. Imaginem que punham um robot desses a controlar a admissão dos candidatos à universidade. Se ele se regesse por critérios estritamente lógicos tudo bem. O pior seria se o "gajo" se passasse dos carretos e começasse a seleccionar os candidatos por critérios de raça, sexo, estatuto social, etc.

Tínhamos um novo Frankenstein...


Hoje...

...estive a ler a Psicologia Judiciária do Prof. Enrico Altavilla, da Universidade de Nápoles.

As coisas terrívies que ele diz de vocezes, filhas. E eu a pensar que era só o autor de Palavras Cínicas e o Velho Testamento que eram misóginos...

Desculpem, esqueci-me do Schopenhauer...


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