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5.2.04

Achei a...

Autobiografia de um emigrante de Manuel de Oliveira - a história dum self made man que do nada chegou a Comendador.

São 374 páginas de memórias de alguém que comeu o pão que o diabo amassou e que depois de muitas lutas e de muito trabalho consegue finalmente ver a vida a sorrir-lhe. Um livro muito edificante que põe a um canto as urdiduras literárias de muitos figurões que andam por aí.

Há uma passagem do livro que considero extremamente dramática. É quando ele bate a uma porta para pedir comida e "uma mulher de cara gorda e corada, da cor do vinho" lhe responde: «Vai trabalhar, rapazinho!»

"Nesse momento tão cruel, levantei os olhos ao Céu e implorei misericórdia."

Frase forte esta que me comoveu até às lágrimas. O livro vale pela sinceriade do testemunho; não é como muitos livros que conheço em que os autores se limitam apenas a contar o bem-bom, omitindo tudo o que possa diminuí-los perante o leitor.

De panegíricos e auto-elogios estou farto. Há autobiografados que me fazem lembrar os fanfarrões de café em que tudo lhes corre bestialmente, onde eles são sempre os heróis e os espertos e os outros os palermas ou coitadinhos.

Há um poema em que Fernando Pessoa diz que nunca conheceu ninguém que tivesse levado porrada. Ora temos em Manuel de Oliveira o testemunho de alguém que apanhou muita porrada da vida e que não se coíbe em confessá-lo.

O seu mérito começa por aí. Pela autenticidade.



Às vezes...

chego a ter receio da minha própria imaginação. Da última vez que me deu o ataque pus a Mar a pegar-me no pau, a Gotinha a fazer uma pergunta desconchavada e a Cat a rir-se às bandeiras...

Tenho de me corrrigir.


Megafraude...

ao Estado em farmácia da Amadora - anuncia A Capital em notícia de primeira página. Eu sorrio perante a confirmação de algo que há muito suspeitava: que a roubalheira não é um exclusivo dos vendilhões do Templo.

E vem-me à memória aquele dia em que fui a uma farmácia comprar uma caixa de preservativos "Controle". Lembro-me do preço altamente especulativo do produto e da sensação de estar a ser levado. Procurei o preço na embalagem. Debalde. O produto não tinha preço marcado.

Olhei para o código de barras e pedi que confirmassem o preço com o leitor electrónico. Recusaram-se. Disseram-me que o mais que me podiam fazer era passarem-me um recibo. Ora vai-te Afonso...

Lá tive que pagar o que me exigiam porque há coisas que não podem esperar, não é verdade, filhas?

Aprendi no catecismo que Deus está em toda a parte. O que eu não sabia era que os ladrões também estão.



Ontem à noite...

estive a ver o programa da Júlia Pinheiro e fiquei chocado. Achei abominável aquele cara de cu que chulava as mulheres até ao tutano como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Mulher que vivesse na sua casa era propriedade sua - dizia o gebo.

Deviam metê-lo novamente de cana com a obrigação de ouvir 10 horas por dia aquele gajo que canta Ninguém é de ninguém...

Talvez assim aprendesse a lição.



Hoje estive...

a organizar o meu Tombo. É que chateia-me à brava querer um livro para consulta e ter de passar a pente fino prateleiras e mais prateleiras para no fim ficar a olhar Braga por um canudo.

Embora ainda não tenha concluído o meu trabalho de arrumador de livros, agora já me é mais fácil saber onde está o que pretendo. Uma quarta-parte dos meus books já estão localizados por assuntos.

Matemática, Física, Informática, Astronomia, Engenharia, Direito e Medicina já estão. Falta a História, a Psicologia, a Linguística, a Literatura e Diversos.

O "Miserere" continua a monte. Em contrapartida achei o Paixões Reais de Eduardo Nobre. Vamos lá a ver se amanhã encontro a Autobiografia de um emigrante ...


Hoje fui...

a um funeral e todo o santo caminho uma canção do Zeca Afonso me martelou a cabeça:

Arlindo Coveiro
com a sua marreca
leva-me o primeiro
para a cova aberta
...........................

Pensei em Fernando Pessoa e interpelei-me a mim próprio sobre o sentido da vida.

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente !
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.

....................................................................

Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque para ti és o universo...


Pensei a seguir nos nossos deputados, no modo enfatuado e importante com que se dirigem uns aos outros, no V. Exª. disse isto, no V. Exª. disse aquilo...

Está bem, está...


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