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26.2.04

Oh excomungada!... 

Antigamente as mães impunham-se ao respeito. Faziam as lides domésticas ,
tratavam dos maridos e sabiam educar as filhas, impedindo-as muitas vezes de
pôr o pé em raminho verde. Nos namoros à porta vigiavam-nas das janelas e
nos bailes da terra lá estavam elas sempre de olho alerta sempre atentas a
qualquer ousadia dos candidatos a genro.

O pudendum das filhas era um sacrário interdito e rigorosamente
vigiado, uma espécie de praça forte que só podia ser arrombada na noite de
núpcias, depois do aval civil e eclesiástico, como mandam as leis. O
assento de casamento com as assinaturas do pároco, dos padrinhos e das
testemunhas era uma espécie de carta de alforria que concedia ao noivo o
direito legal de montar a sua amada.

Sem os sagrados papéis era pecado e até uma grande desonra. Se alguma
manceba aparecia de barriga inchada já se sabia que havia barulho lá em
casa. Subitamente arvorada em juiza de instrução criminal, logo a mãe
procurava indagar o nome do putativo varrasco que teve o ignominioso desplante
de lhe emprenhar a filha. Se esta não se descosesse conforme o mando materno
ou se procurasse iludir o problema com subterfúgios ou respostas evasivas
podia muito bem acontecer aquilo que Aquilino Ribeiro descreve em "Volfrâmio",
cap. 12, pág. 387:

A mãe arremeteu para ela de tamanco no ar. - Oh, excomungada, que te
mato! Dizes quem é o varrão, ou é aqui o teu último dia...?!


Grandes mães estas que velavam pela pureza das filhas com santo desvelo e
as conduziam ao altar de hímen intacto para receber da Santa Madre Igreja o
sacramento do matrimónio.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Actuamente contam-se pelos dedos
duma mão as que chegam virgens ao leito nupcial.

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