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16.1.04

Um promontoriozinho ...

que parece, nosso Senhor me perdoe, um... clitóris. Look at the Queen of the Night , inspiradora de amantes e poetas, e vejam se atinam com o Promontório Laplace. Agora com franqueza digam-me se aquela bolinha reluzente não parece aquilo que vós bem sabeis...





Já agora... Laplace (1749 -1827) foi um grande matemático francês autor de obras fundamentais de que destaco a Mécanique céleste, trabalho monumental em 5 grandiosos volumes que constituem um marco indelével na história da ciência.

Napoleão admirava tanto este homem que o nomeou... ministro do interior. Um dia em conversa o imperador perguntou a Laplace porque não mencionara Deus na sua obra. A resposta foi: "Sire, je n'avais pas besoin de cette hypothèse." Toma lá que te dou eu...

Laplace como matemático era excelente mas como administrador era uma desgraça. Napoleão teve que demiti-lo alegando que "ele transportava o espírito do infinitamento pequeno à direcção dos negócios da sua pasta". Pois é, os problemas políticos parece que não se resolvem com integrais nem com laplacianos :-)

Antes de terminar peço-vos que olheis de novo para a Lua. Estais a ver a cratera Lambert? A história deste homem bem contada dava um romance de fazer chorar as pedras da calçada. Jean Le Rond d'Alembert (1717 - 1783) era o que se pode chamar um matemático puro, ao contrário de Laplace que utilizava a matemática mais como ferramenta para explicar o mundo físico . Era senhor de vasta cultura em direito, medicina, ciência e, claro está, em matemática. Colaborou com Diderot nos 28 volumes da célebre Encyclopédie. Era amigo de Voltaire e outros "philosophes", ficando na história como um dos que abriram o caminho à Revolução Francesa.

Pois bem, este grande espírito conhecido como "a raposa da Enciclopédia" - a quem Catarina, a Grande, da Rússia convidou certa vez para tutor de seu filho, convite que d'Alembert recusou apesar do salário principesco que lhe era oferecido - foi o mesmo que um dia foi abandonado pela mãe nos degraus da igreja de St. Jean Le Rond d'Alembert, perto da Notre-Dame de Paris.

Esta circunstância infeliz fez com que adoptasse o nome da igreja como apelido, estais a compreender? Mais tarde descobriu-se que sua mãe era a aristocrática e vivaz Madame de Tencin, escritora eloquente e irmã de um cardeal, e que o seu pai era o Chevaler Destouches, general de artilharia.

A criança enjeitada foi criada pela mulher de um vidreiro. Mais tarde, quando se tornou famoso como matemático, d'Alembert desprezou todas as tentativas de aproximação da mãe, preferindo ser reconhecido como filho de seus humildes pais adoptivos.

Grande carácter !...

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Nota: A foto acima foi tirada no meu telescópio há já uns anitos. Vejam se aprendem alguma coisa da topografia lunar pois espero, dentro em breve, apresentar aqui a mesma foto mas... sem legendas. Sempre quero ver se estive a falar para o boneco ou se eu sou um... santinho de pau a falá.



Breehhh... debaixo da igreja está uma língua morta

E como as filhas não curtem línguas mortas houve uma que teve a intemerata coragem de me pedir que traduzisse o latinório que se encontra debaixo da igreja senão que ía comprar um...dicionário!

Perante este verdadeiro ultimato vi-me obrigado a ceder. Então se me dão licença cá vai...

"Ouvistes que foi dito aos antigos: "Não cometerás adultério. Eu, porém,
digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu
adultério com ela no seu coração.

............................................................................

Também foi dito: Aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de repúdio.
Eu, porém, digo-vos: Aquele que repudiar sua mulher - excepto em caso de
coito ilícito - expõe-na a adultério, e quem casar com a repudiada comete
adultério."



Se eu vos dissesse onde fica esta igreja...



In illo tempore...

"Audistis quia dictum est antiquis: Non moechaberis. Ego autem dico vobis, quia omnis qui viderit mulierem ad concupiscendum eam, iam moechatus est eam in corde suo.

..................................................................................................................

Dictum est autem: Quicumque dimiserit uxorem suam, det ei libellum repudii. Ego autem dico vobis, quia omnis qui dimiserit uxorem suam, excepta fornicationis causa, facit eam moechari, et qui dimissam duxerit adulterat."


Que bonito, filhas, que bonito...

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Nota: A igreja acima fica em Ninho do Açor, minha terra.

Uma canção para as filhas

Como não posso oferecer-vos flores ofereço-vos um canção dos meus tempos de colegial. Clicar em early one morning

Um bónus do Agnus Dei


Confessionário

Há coisas que só vos posso dizer em latim e outras só em grego. Talvez um dia me resolva a falar do meu fenómeno do Entroncamento em... grego :-)

Audistis quia dictum est antiquis: Carpe diem. Ego autem dico vobis: Carpe pudenda.

Agnus Dei


Notícias do Seringeti

Na passagem do rio os crocodilos mataram 24 gnus e feriram gravemente 97. Cuidado.


Xiii!.. aonde vocezes vieram parar...

Pater, dimitte illis; non enim sciunt quid faciunt.
Pai, perdoa-lhes porque nao sabem o que fazem.

Vocezes conhecem o Figo, o Mantorras e o diabo a quatro.
Mas quem foi Francisco Gomes Teixeira, hein?

!?...

Pois, pois, ja vi que não sabem quem foi o maior matemático
português contemporâneo.

Eh pá, a sua dissertação de doutoramento "Integração das equações de derivadas parciais de 2ª ordem " deixou o júri coimbrão estupefacto. Nunca se tinha visto uma tão penetrante inteligência na história da Universidade. Aprovado com 20 valores. Summa cum laude. Foi Professor insigne e reitor da Universidade do Porto. Os seus trabalhos dispersos encontram-se compilados em sete grossos volumes "Matematica", sendo de destacar os volumes III e VI que constituem o Curso de Analise Infinitesimal.

Como estais a ver estou a falar-vos dum académico que bateu todos os recordes nacionais - uma espécie de Eusébio matemático, estais a ver...

Nas antípodas deste sábio notável estou a lembrar-me do filho dum padeiro inglês que, ao contrário do nosso compatriota, nunca sentou o cu nos bancos de qualquer universidade. Ajudava o pai na padaria e, nas horas de folga, estudava a Mecânica Celeste de Laplace por sua conta e risco.

As realizações deste humilde autodidacta, deste estudante de sotão, nos domínios da física-matemática, sao simplesmente assombrosas. Sem educação formal, sem apoios de ninguém, o gajo conseguiu descobrir coisas do arco-da-velha.

O tipo chamava-se George Green (1793-1841.

O Teorema de Green diz assim:

"Se C e uma curva fechada simples, seccionalmente lisa, que delimita uma região R, e se M(x,y) e N(x,y) sao contiínuas e têm derivadas parciais contiínuas ao longo de C e em todo R, então...


...a gente logo conversa. *



* O meu teclado não tem os si­mbolos matemáticos para ilustrar a equação que eu queria. Não sei como vou superar esta dificuldade.

Ciao

Agnus Dei



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