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13.2.04

Desciam...

da serra sacripantas brutais cheirando a caldo e a broa e saíam da Rua da Sovela figuras mal amanhadas, ainda em bloco, para os professores desbastarem. Era terrível ouvir o vozeirão do Dantas ensinando latim àquela cáfila, com bramidos que se ouviam no Bolhão.

Raul Brandão

Eu quero ver quando chegar a minha vez de explicar a equação de Schrödinger às filhas... Há-de ser uma lambança de alto lá com ela :-)

Vai ser lindo, vai...


Dizem que...

o Júlio Dinis morreu virgem. Coitado!...

12.2.04

Ad usum americanorum... 



O livro que tendes diante dos olhos, filhas, custa 21 630 escudos! Mais de 100 euros, portanto. E como se isso não bastasse está cheio de gatos que eu descobri e corrigi há já uns anitos.

O mesmo acontece com o Mathematical Handebook of Formulas and Tables de Murray R. Spiegel da McGraw-Hill, Inc. A editora, em New York, foi avisada há cerca de 10 anos e o Big Boss mandou imediatamente fazer uma nova edição ad usum americanorum, isto é, "para uso dos americanos. "

Nós, como somos tidos em pouca conta, continuamos com as edições antigas nas nossas universidades e institutos, pois - tanto quanto sei - a edição corrigida ainda não continua disponível em Portugal.

A nova edição foi-me oferecida por especial cortesia do editor norte-americano e conservo-a na minha biblioteca como uma lembrança muito especial. A fórmula que eu corrigi diz respeito à integral da função 1/ (x^4 + a^4). A dedução da dita ocupou-me 6 folhas A4 motivo por que não a trago para aqui.

Também o Manual de Matemática para Engenheiros e Estudantes de I. Bronstein e K. Semendiaev da editora MIR MOSCOU comete o mesmo erro.

P.S. Ainda não perdi a esperança de vos explicar a equação de Schrödinger...


Eis o que me respondeu...

um "cientista" alemão acerca do Table of Integrals...

This venerable and very useful book does have many errors. The software package mathematica has been used to spot and correct all manner of problems... As for your photo I think you need to pay more attention to the background :-)

Stefan Engström

E não é que o "alemão" tem razão !...

Oh Stefan, está bem, para a próxima envio um close-up do background:-)

P.S. Pus alemão entre aspas porque descobri que o gajo vive nos EUA, mas o apelido indica que deve ser de ascendência germânica.

Aqueles que...

falam da religião como a alienação suprema não imaginam de quantas alienações ela nos liberta. Assim falava José Régio. Não deixa de ter razão o homem. Ainda que a religião seja muito provavelmente uma mitologia a raiar o absurdo - e tudo indica que sim - a verdade é que a fé opera prodígios.

A psique humana está ainda muito mal estudada e a psicologia não passa duma ciência incipiente. Que a sugestão, a crença, a entrega a um ser superior em quem plenamente se confia, pode ter efeitos extremamente benéficos no ser humano - sabemo-lo todos nós. Agora o modo em que o espírito interactua com o físico é que ainda permanece um mistério.

Portanto, filhas, nada perdeis em ser devotas, nada perdeis em vos entregardes a Jesus Cristo, nosso Senhor, e à Virgem Maria, sua Santíssima Mãe, desde que tal opção vos deixe livre o exercício natural da pudenda e o usufruto normal dos prazeres da vida.

Uma das perversões de muitos padres foi identificar o prazer sexual com o pecado. Ora o desfrute natural da pudenda é um dom de Deus, algo de muito aprazível e gratificante para quem vive neste vale de lágrimas, onde há tanta coisa bonita - não o nego - , mas onde há também tanta coisa horrível e feia.

Aproveitai, pois, esse dom de Deus da melhor maneira, mas sem ornamentar a testa dos vossos maridos, ok?

Que o Senhor vos abençoe na paz da salvação.



Um gajo até fica parvo...

com as notícias que chovem de vez em quando. Desta vez foi um padre espanhol. O filho da polícia, em vez de preparar as meninas para a sagrada comunhão, abusava da inocência delas com fins libidinosos.

Já não se pode confiar em ninguém. O DOMVS IVSTITIAE lá deles espetou-lhe com 11 anos de prisão. Bem feita.



O que não está bem...

é a igreja condenar os padres à incontinência sexual perpétua sob pena de violarem o voto de castidade a que estão canonicamente obrigados. Ora isto é um crime anti-natura. Os padres não são eunucos, são homens inteiros ! Como querem, pois, condená-los a viver no reino da Capadócia, acaso não me dizem?

Ai filhas, cada vez que penso em tanta virilidade desperdiçada, em tanta terra de pousio , tudo em nome de dogmas mal amanhados e santas estupidezes. Penso em Bernadette Soubirous, a vidente de Lourdes, na nossa irmã Lúcia, coitadinha, que nunca soube nem nunca saberá o que é o bem-bom , penso em tantas virgens que morrem donzelas em nome dum talibanismo maluco que ignora em absoluto as leis da natureza.

Chassez le naturel, il revient au galop, "expulsai a natureza que ela voltará a galope" - diz um locução francesa. Os escândalos sexuais que em todos os tempos vêm abalando a igreja é prova disso. Mas ninguém toma medidas e depois é o que vamos vendo.

O direito dos padres ao matrimónio e à felicidade é um direito natural cada vez mais imperativo.


11.2.04

Uma parábola para as filhas 

A multidão aglomerava-se na praia num grande tumulto para ouvir o Mestre. As
filhas, suas discípulas, vendo isso formaram um círculo de segurança à volta
do seu Senhor para evitar que pés sacrílegos O pisassem.

- Senhor- disse Ruth, a moabita, filha de Zaqueu - sobe para a barca não
aconteça seres pisado por algum incircunciso.

Ouvindo as palavras sensatas da sua amada discípula o Mestre caminhou
sobre as águas do mar e subiu para bordo duma barca que baloiçava nas ondas
a sete cajados de distância da praia.

Erguendo a voz o Mestre começou a falar à multidão:

"Havia um reino de pecadores que um dia se rebelou contra o seu Rei. Este
para salvar a vida saíu às ocultas do palácio com os seus fiéis e, montados
em jumentos, dirigiram-se para o deserto que conduzia à montanha da
Salvação. A meio do deserto, porém, tendo faltado o pão alguns começaram a
clamar: "Escapamos aos incircuncisos para agora morrermos de fome. Os
jumentos já os comemos, que haveremos de comer agora? Sem cavalgaduras e sem
pão como poderemos salvar-nos? Mais valia termos sido passados à espada do
que sofrermos os horrores da inanição."

O rei, olhando-os com complacência, retorquiu-lhes: "Fazei como João, o
Baptista". Ao ouvirem isto logo se puseram à caça de gafanhotos tendo sido
farta a colheita. Assim , a breve trecho, todos puderam saciar-se à
vontade, tendo até sobrado mais de setenta vezes sete dos ditos insectos.
Mais adiante começou a faltar a água e novamente começaram os clamores: " De
que nos valeu escaparmos aos incircuncisos se agora vamos morrer à sede?
Mais valia termos sido passados à espada do que acabarmos mais secos do que
o pó do deserto"

De novo o Rei olhou os murmuradores com complacência e disse: " Homens de
pouca fé! Acaso cuidais que eu vos traria para o deserto se não tivesse os
meios de vos conduzir à montanha, onde jorra o mel, o leite, a água
cristalina e onde à noite as estrelas cintilam para todos homens de coração
puro?"

E dizendo isto tirou do seu bornal um odre cheio de água choca cuja
existência todos ignoravam. Todos beberam uma pequena porção, a necessária
para continuarem vivos sob o sol tórrido Não tinham andado mais de mil
estádios quando os clamores se fizeram ouvir de novo. Desta vez o rei não
foi complacente Lançando um olhar tigrino sobre os seus súditos disse: "A
água que resta neste bornal é o garante da nossa sobrevivência colectiva.
Por isso desde já declaro que incorre em pena capital todo aquele que beber
um trago dela sem minha expressa autorização."

Apesar da advertência do rei vários foram os sedentos desesperados que
tentaram apossar-se do odre com o precioso líquido, mas debalde. O rei,
sempre vigíl, a todos azorragava com o vergalho de que andava sempre
acompanhado e com o qual castigava todas as tentativas de delito.

Havia 28 luas que caminhavam no deserto quando Zaqueu, filho de Zebedeu,
gritou: "Vamos à montanha!"

E logo um coro de vozes gregorianas repetiu em uníssono: "Vamos à
montanha!" "Vamos à montanha!" E todos desataram a correr os últimos
estádios que os separavam da redenção. Quando chegaram ao sopé o rei
pousou o odre no chão e afastou-se discretamente. Mal este voltou costas
logo um bando de sedentos se atirou ao odre para saciar a sede. E qual não
foi o espanto de todos quando verificaram que o odre estava completamente
vazio!...

- Senhor - disse Zaqueu, filho de Zebedeu - tu sabias há muito tempo que
o odre não tinha uma gota de água. Porque nos iludiste com uma falsa
esperança?
- Porque sem essa ilusão, meu filho, muitos seriam os que teriam cedido
ao desânimo e acabariam por morrer. Assim pudemos salvar-nos a todos.


Enquanto a barca baloiçava nas ondas alterosas o Mestre levantou a voz e
gritou à multidão atónita:

"Em verdade, em verdade vos digo, que a minha Palavra é o odre que vos
conduzirá à Salvação."

Agnus Dei


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