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26.3.04

Un vol d'oiseau... 

Devo confessar aqui um pecado. Nao tenho por habito andar de blog em blog, feito abelha, para ver o que se escreve neste mundo virtual. Ontem 'a noite, porem, abri uma excepçao e decidi arriscar. Foi deste modo que fui parar ao Outro lado da Lua.
Prosa inteligente a ressumar poesia em cada palavra foi o que se me deparou. Tudo ali e' leve e feminino desde as cores 'as palavras. Pensamentos subtis, aguarelas de sentimento, leveza, desejos velados, diafaneidades, Eros e Psyche...

25.3.04

Pensamentos avulsos... 

Quando olho para uma porta nao a vejo como uma coisa rectangular que abre e fecha e ponto final. Vejo-a mais como um objecto que pode ser utilizado para transmitir conceitos fisico-matematicos da maior importancia, incluindo o conceito de integral de linha.

Dos confins da memoria chega-me a imagem do Colegio de Santo Antonio com o seu espaçoso patio onde decorriam cenas com o seu que de insolito. Recordo o Lino, um cabula de alto coturno, a discutir com outros as respostas dadas no ponto de historia, sempre em grandes ansias para chegar 'a positiva. «Quem foi o rei que assinou a Magna Carta?» Soou uma resposta no ar e logo rebentou acirrada discussao. O Lino, que nao tinha atinado com nenhuma ate' ai, achou que chegara o momento da desforra e, dando um acento tonico 'a sua voz de adolescente espigadote, ei-lo a clamar:

- FOI O JOAO SEM TERRA, FOI O JOAO SEM TERRA!...

Eu que observava a cena sorria complacentemente.

Recordo uma barrela que fizeram ao Jose' Alberto, um caixa de oculos com uma pele tao branca e delicada que parecia uma mulher. Tres mariolas agarraram nele como quem agarra um porco em dia de «mataçao», arrancaram-lhe as calças e a roupa intima e esfregaram-lhe as partes vergonhosas com ervas de propriedades urticantes.

Lembro tambem o Ze' Damas, um estoira vergas de alto gabarito, a envolver-se em acesa discussao com um epileptico, tipo menino da mama. Apos um longo preambulo de insultos mutuos, vejo-os a passarem 'as vias de facto com socos trocados a esmo, ressoando sinistramente no ar. Sao daqueles que nao fazem grande rumor, so' os sente quem os rilha - como diria o Aquilino Ribeiro. A luta continuava indecisa com ambos os contendores ja completamente exaustos ate' que o Ze' Damas, ja' farto de distribuir murros inconsequentes decidiu por termo 'a refrega dando um pontape' nos testiculos do adversario. A cena que se seguiu nao foi la' muito edificante. Apanhado de subito nas partes fracas, o rapaz desatou de rebolar-se-se pelo chao a berrar como um desalmado que ate' metia do'. Deus vos guarde, filhas, de um dia apanhardes um pontape' nos...

24.3.04

'As vezes... 

apetece-me gongorizar a minha escritura com latinismos, trocadilhos, neologismos e uma data de pensamentos subtis. Depois pensando nas filhas, que ja' carregam com o onus do ingles, do italiano, das equaçoes e da falta de acentos, decido tirar dai o sentido. Em atençao a elas, hoje vou aligeirar um pouco a materia.

Ouvi nas noticias que Portugal, a nivel europeu, ocupa o 2º. lugar no que concerne 'a taxa de adolescentes gravidas. Nao bondava ja o nosso record na taxa de acidentes rodoviarios, tinhamos que ter mais este, o' sorte. Acho inutil estar a tentar descobrir causas sociologicas para o fenomeno. Temos o sangue quente e' o que e'.

Assim como assim que o nosso pior mal fosse esse. Com uma populaçao cada vez mais envelhecida talvez seja de aplicar aqui o ditado que diz que ha' males que vem por bem. Pior e' o desemprego a disparar e a pobreza encoberta que anda por ai. Ate' ja' ha' quem fale em fome...

E o nosso governo o que e' que faz? Porque e' que o nosso pais nao arranca da crise? Sera' que a culpa e' dos bois ou do Manel Jeirinhas?

A logica da batata dos alemaes durante a guerra... 

Esta que se segue pesquei-a do "Diario" do conde Ciano, que ando a ler.

12 Gennaio 1942 - Il duce protesta per il contegno dei soldati tedeschi in Italia e, specialmente, per quello dei sottufficiali che sono tracotanti, provocatori e ubriaconi. Ieri sera due di loro, a Foggia, sono entrati di forza in casa di un signore che se ne stava andando a letto ed hanno tenuto con lui questo discorso: "Noi abbiamo occupato la Francia, il Belgio, l'Olanda e la Polonia. Stasera, vogliamo occupare tua moglie". Ai che egli ha riposto: "Voi potete occupare tutto il mondo, ma non occuperete mai mia moglie. Non ce l'ho, perche' sono scapolo".
............

Tomem la' que vos dou eu! Olha se o pobre diabo calha a ser casado...

A logica da batata 

O mundo em que vivemos e' um mundo onde o equilibrio dos ecossistemas se mantem 'a custa do seguinte mandamento: «comei-vos uns aos outros.»

E nos, pobres viventes, assim fazemos: As plantas sao dizimadas pelos herbivoros. Estes, por sua vez, sao chacinados pelos carnivoros. No topo da cadeia alimentar esta' o homem, o mais letal de todos. Todos os dias, nos matadouros de todo mundo, sao chacinados milhoes e milhoes de animais, que nos depois comemos alegremente com gargantuesco apetite.

E o pior de tudo e' que achamos tudo isso normal.

Razao tinha Schoppenhauer quando um dia escreveu: "Se Deus criou o mundo, eu nao gostaria de ser esse Deus."

E' que se Deus criou um mundo, onde os seres vivos para sobreviverem tem que se matar uns aos outros, entao foda-se. Ha algo de errado em tudo isto.

Perante o que acabo de expor nao ha' teologia ou religiao que resista. Tudo nao passa de lixo metafisico - como diria o Fernando Pessoa.

22.3.04

Non ammetto... 

Tenho aqui em cima da secretaria o "Diario" do conde de Ciano, um cartapacio de 747 paginas que comprei na minha ultima viagem 'a Italia. Para quem nao sabe Galeazzo Ciano era genro de Mussolini, por ter sido casado com Edda, a filha mais velha do ditador.

No seu Diario, a paginas 641 e 642, narra o funeral de Bruno Mussolini e conta como o Duce ficou indignado quando, ja' no regresso, os familiares aceitaram dos camponeses um cesto com generos alimenticios.

"Non ammetto di tornare dalla tomba di mio figlio coi polli e le pere."

Aveva ragione.

Em portugues: "Nao admito voltar do tumulo do meu filho com frangos e peras."

Mussolini romantico 

Nao e' segredo para ninguem que o fundador do fascismo era um amante fogoso e duma virilidade pouco comum. Exercia um fascinio sobre as mulheres capaz de envergonhar qualquer D. Juan de bairro.
A par da brutalidade tambem sabia ser terno como o demonstra a seguinte passagem de "Claretta" de Roberto Gervaso:

"A volte si trovavano, invece, all'alba sulla spiaggia, fra le barche dei pescatori. «L'amo. l'amo questa bambina, l'amo, si, non mi vergogno di gridarlo poiche' l'adoro» declamava lui alle onde...

«Ti adoro, piccola Clara, sei la parte piu bella della mia vita, sei la mia anima, la mia primavera, la mia giovinezza, e ho bisogno di te, ho bisogno del tuo amore fresco, buono, tempestoso, assoluto, prepotente, cosi come il mio 'e violento, prepotente, geloso, perche' io sono geloso di te. Te lo dico dinanzi a questo mare che adoro (...) e ricorda sempre queste parole dette alle prime luci dell'alba, nella purezza indimenticabile dell'ora, appena baciata dal sole.

Ricorda Clara quello che ti dice un uomo al tramonto della sua vita, nel declino dell'eta, sono le frasi piu profonde, piu intense, io ti amo, e qualunque cosa accada, io ti amo, ti ho amato e ti amero sempre. Sei l'unica donna che io, nella mia tumultuosa, difficile e tormentata vita, abbia veramente e profondamente amato.»


Ontem... 

meti-me por uma velha estrada romana, feita de calhaus erodidos pelo tempo, e subi 'a montanha. Dum lado e do outro oliveiras raquiticas de troncos musgosos e retorcidos davam um ar da sua graça. Mais para riba denso matagal, bom para couto de raposas, texugos e demais bicharada. De quando em vez uma esguia e fragil planta de flores lindissimas. Lembro-me dos lirios do campo, de Salomao, de S. Mateus. Chego ao topo. Que panorama...


Foi em Pisa...

que achei a mais divertida, e talvez a mais realista definiçao de casamento. Proximo da famosa torre havia uma pequena feira de artesanato. Uma das peças em exposiçao tinha inscrita a seguinte frase:

"Il matrimonio 'e la coesistenza piu o meno pacifica fra due sistemi nervosi."

O que eu me ri, filhas.


21.3.04

Para uma certa raposa... 

Contam que certa raposa,
Andando muito esfaimada,
Viu roxos, maduros cachos
Pendentes de alta latada.

De bom grado os trincaria;
Mas, sem lhes poder chegar,
Disse: - "Estao verdes, nao prestam.
So' os caes os podem tragar".

Eis cai uma parra, quando
Prosseguia o seu caminho;
E, crendo que era algum bago,
Volta depressa o focinho. :-)

Bocage

My gratitude goes... 

to those who have visited my blog. In the last week my Site Meter has registed visitors from some universities, namelly:

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Special thanks to

- Eng. Armando da Silva Vieira who obtained his Ph. D. from the Coimbra University. It was this my friend who sent to me, by mail, the Miller and the Donkey Problem to be solved.

- Jaime Gaspar, a student of mathematics from the Lisbon University, for his Pascal program.

Manuel Cruz Sousa

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