1.7.04
Cedant arma togae
"Que as armas cedam 'a toga!" - dizia Cicero ao defender o primado do poder civil sobre o poder militar. Nao pensavam assim os nossos coroneis quando Salazar tomou conta da pasta das Finanças. Enquanto o filho do Manholas tentava a todo o custo endireitar o Orçamento, os coroneis, pensando exclusivamente na barriga deles, queriam 'a viva força que o Ministro da Guerra, general Schiapa de Azevedo, fizesse aprovar em Conselho de Ministros um projecto, segundo o qual ficariam a receber o vencimento do posto imediato ao fim de uns tantos anos de serviço ou quando passassem 'a reserva.
Salazar opos-se ao projecto alegando falta de verba. Quando o general Schiapa deu a ma' noticia aos coroneis, estes replicaram: "O gajo diz que nao da', mas da'." E tentaram demonstrar ao general que feitas bem as contas o Ministerio da Guerra ate' nem precisava de reforço de verba, nao senhor, para por em execuçao o dito projecto.
Convencido de que assim era o pobre Ministro da Guerra voltou a chatear o Salazar ao que este respondeu:
"Senhor ministro, os calculos estao errados. Diga aos senhores coroneis que revejam as contas, e desde ja' lhe posso afirmar que por este caminho as nao acertarao..."
Perante nova nega os manhosos coroneis disseram ao Ministro da Guerra que ele proprio, em pessoa, podia resolver o assunto por simples despacho ministerial, sem necessidade de qualquer decreto. O ministro fantoche cedeu. Emitiu um despacho e os coroneis la' começaram a receber o seu aumento como pretendiam.
Tres meses depois era o descalabro. Os coroneis, esgotada a verba para pagamento dos vencimentos, atiraram-se como gato a bofe ao dinheiro destinado 'as praças e sargentos. Estes ultimos, coitados, ja' estavam ha' dois meses sem receber...
E' sempre assim. Quando o mar bate na rocha quem se lixa e' o mexilhao. Ou "em cama estreita nos adiante." - como me dizia o Cap. Joao da Costa Andrade, meu ilustre conterraneo.
Quando Salazar soube do ocorrido disse ao general Schiapa:
"Os seus coroneis disseram: "o gajo diz que nao da', mas da'", e eu repito a V. Ex.ª « que nao da'. » Ha' portanto duas saidas: V. Ex.ª manda que os senhores coroneis reponham o aumento ilegal que receberam, ou retiro-me do Governo e que venha substituir-me quem queira dotar esse mau acto de administraçao."
Deixo o resto do relato por conta do tenente Assis Gonçalves que se refere a este interessante acto de rapina no seu livro "Intimidades de Salazar":
"Schiapa de Azevedo, assediado pelos coroneis, que diziam ser uma vergonha para o ministro mandar repor os aumentos, viu-se obrigado a pedir a exoneraçao."
Foi substituido pelo desembaraçado coronel de cavalaria Namorado de Aguiar, que logo mandou repor o dinheirinho todo, como manda a lei.
Moral da historia: Xicos? Quem os nao conhecer que os compre.
Salazar opos-se ao projecto alegando falta de verba. Quando o general Schiapa deu a ma' noticia aos coroneis, estes replicaram: "O gajo diz que nao da', mas da'." E tentaram demonstrar ao general que feitas bem as contas o Ministerio da Guerra ate' nem precisava de reforço de verba, nao senhor, para por em execuçao o dito projecto.
Convencido de que assim era o pobre Ministro da Guerra voltou a chatear o Salazar ao que este respondeu:
"Senhor ministro, os calculos estao errados. Diga aos senhores coroneis que revejam as contas, e desde ja' lhe posso afirmar que por este caminho as nao acertarao..."
Perante nova nega os manhosos coroneis disseram ao Ministro da Guerra que ele proprio, em pessoa, podia resolver o assunto por simples despacho ministerial, sem necessidade de qualquer decreto. O ministro fantoche cedeu. Emitiu um despacho e os coroneis la' começaram a receber o seu aumento como pretendiam.
Tres meses depois era o descalabro. Os coroneis, esgotada a verba para pagamento dos vencimentos, atiraram-se como gato a bofe ao dinheiro destinado 'as praças e sargentos. Estes ultimos, coitados, ja' estavam ha' dois meses sem receber...
E' sempre assim. Quando o mar bate na rocha quem se lixa e' o mexilhao. Ou "em cama estreita nos adiante." - como me dizia o Cap. Joao da Costa Andrade, meu ilustre conterraneo.
Quando Salazar soube do ocorrido disse ao general Schiapa:
"Os seus coroneis disseram: "o gajo diz que nao da', mas da'", e eu repito a V. Ex.ª « que nao da'. » Ha' portanto duas saidas: V. Ex.ª manda que os senhores coroneis reponham o aumento ilegal que receberam, ou retiro-me do Governo e que venha substituir-me quem queira dotar esse mau acto de administraçao."
Deixo o resto do relato por conta do tenente Assis Gonçalves que se refere a este interessante acto de rapina no seu livro "Intimidades de Salazar":
"Schiapa de Azevedo, assediado pelos coroneis, que diziam ser uma vergonha para o ministro mandar repor os aumentos, viu-se obrigado a pedir a exoneraçao."
Foi substituido pelo desembaraçado coronel de cavalaria Namorado de Aguiar, que logo mandou repor o dinheirinho todo, como manda a lei.
Moral da historia: Xicos? Quem os nao conhecer que os compre.