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7.3.05

O místico 

Conheço um sujeito que tem um percurso de vida um tanto ou quanto singular. Já foi fabricante de tijolo, taxista, curandeiro e agora místico. Certo dia procurou-me para me pedir um favor. Mandei-o entrar para a minha biblioteca e uma vez sentados à mesa aguardei com curiosidade que me revelasse o motivo da sua visita. Revelou-me que tinha descoberto uma erva milagrosa que, aliada às suas orações, tratava com êxito extensa panóplia de doenças, espécie de panaceia que dava para tudo.

E como ele vislumbrasse na minha expressão fisionómica algum indício de cepticismo ou de descrença, ei-lo que desata de me narrar casos concretos de curas por ele efectuadas, numa longa casuística onde os médicos apareciam geralmente como nabos e o nosso herói como anjo salvador.

Finda a narração fez-me uma proposta: em troca da publicidade na Internet dos seus serviços de milagreiro ele oferecia-me participação nos lucros. Respondi-lhe que não era autor de nenhum site - o que era verdade, na altura - e que o melhor era procurar alguém que trabalhasse nessa área da informática para levar a cabo o seu projecto.

Vendo que eu me mostrava evasivo em relação ao proposto, os seus lábios deixaram escapar a seguinte frase:

"Somos todos muito bons rapazes principalmente quando estamos a dormir..."

Uma sentença cheia de sabedoria, condizente, aliás, com o seu carácter de místico- religioso que passa longas horas em meditação e lendo a sagrada escritura...

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