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4.12.05

Uma frase enigmática 

Há uns anitos quando descia o Douro num barco semi-rígido encontrei na barragem da Valeira algumas inscrições muito curiosas. Estas assinalam o fatídico local onde outrora se erguia o cachão da Valeira, originado por um bruto rochedo no meio do rio que obstaculizava a navegação desde tempos imemoriais. Foi ali que um dia o barco rabelo do barão de Forrester foi colhido por um redemoinho e se voltou com 16 pessoas a bordo. Todos se salvaram menos o barão, uma criada e um criado. Camilo Castelo Branco, em "A Queda de um Anjo", faz alusão ao desastre que tanto impressionou a sociedade da época.



Na foto vêem-se duas inscrições praticamente iguais. A primeira (e mais antiga) está parcialmente submersa e remonta ao reinado de D. Maria I; a segunda, um pouco mais acima, não passa duma cópia da original, tendo sido gravada posteriormente por razões que facilmente se intuem.

Dizem o seguinte as inscrições:

Imperando D. Maria primeira (...)
se demoliu o famozo rochedo
que fazendo aqui
hum cacham inaccessível
impossibilitava a navegação
desde o principio dos séculos.
Durou a obra
desde 1780 até 1791.

Ambas as inscrições terminam com uma frase em latim onde se pode ler:

PATRIAM AM AVIFILIOSQUE DILEXI.

O que quererá dizer esta frase enigmática? Em parte alguma achei quem se dignasse esclarecer este mistério. Um belo dia, porém, decidi meter mãos à obra. Agrupei as palavras "comme il faut" tendo chegado ao seguinte arranjo:

PATRIAM AMAVI FILIOSQUE DILEXI.

[Amei a Pátria e os filhos honrei.]


P.S. Ainda dizem que o latim é uma língua morta que não serve para nada, ai não que não serve...

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